Autismo: A batalha é contra o preconceito

Dia da conscientização sobre o tema é nesta terça

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Celebrado nesta terça-feira (02), o Dia da Conscientização sobre o Autismo, uma condição de saúde caracterizada por desafios em habilidades sociais, comportamentos repetitivos, fala e comunicação não-verbal. Porém, terapias adequadas podem auxiliar essas pessoas a melhorar sua relação com o mundo.

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O Blog do Flávio Fernandes conversou com a psicóloga e terapeuta Vitória Linhares para entender o diagnóstico, e com Gerlane Ferreira, mãe do pequeno Keven Emanuel, de 5 anos, para falar dos desafios enfrentados no cotidiano.

De acordo com Vitória Linhares, o diagnóstico precoce é essencial para o tratamento e destaca que o autismo não é uma doença.

“O tratamento por volta dos dois ou anos pode influenciar no nível de suporte que a criança vai precisar. O autismo é subdividido em três níveis e quanto maior for o nível, maiores suportes a criança e/ou indivíduo vai precisar. Seja na socialização, na comunicação, alguns são verbais, outros não verbais. Então, quanto maior a atenção com o assunto, melhor para o indivíduo”, destacou a psicóloga, que também destaca o papel da escola no cotidiano de uma criança autista.

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“A escola tem um papel muito forte: qualificar os profissionais, dispor de palestras tanto para os colegas, quanto para os pais. Quando a escola traz esse assunto, ele deixa de ser um tabu”, afirmou.

Para Gerlane Ferreira, a sociedade não está preparada para receber uma criança autista.

“Os desafios são diversos, desde a não compreensão, muitas vezes pelos nossos familiares, a não busca de conhecimento pelo assunto. Uma sociedade que tem muito preconceito e não busca conhecimento”, revelou.

Gerlane descobriu os sinais do Transtorno do Espectro Autista (TEA), no filho ainda aos 6 meses. Ela destaca que Keven nunca correspondia às brincadeiras, aos sinais e sempre se interessou pelas rodas do carrinho e não pelo próprio carro.

Foto: Arquivo Pessoal

“Quando ele completou 8 meses, parecia que eu era transparente dentro de casa. Ele não correspondia a nada que nós fazíamos. Até entender os sinais, o desespero batia e eu não sabia o que fazer.”

Gerlane destaca que o trabalho ajudou a descobrir qual tratamento era necessário para a saúde de seu filho, porém, devido às intensas terapias, foi preciso abrir mão de seu trabalho para focar em seu filho e com isso as críticas não pararam.

“Quando ele nasceu, eu já trabalhava em uma faculdade. E foi graças ao trabalho que consegui levá-lo à terapia. Mas para poder acompanhá-lo com mais frequência, eu tive que pedir demissão.”

Foto: Arquivo Pessoal

Para ela, muita coisa ainda precisa ser feita. Porém, a luta contra o preconceito é o maior obstáculo.

“É bem complicado, a sociedade começa a atacar em qualquer atitude que eles pensam que não é para ser. A sociedade nos vê como uma pessoa sem sentimento. Eu costumo dizer que quando a gente não sabe acolher a dor do próximo, a gente fica bem caladinho”.

Ao ser questionada sobre seu maior sonho, Gerlane reforça que tenhamos mais políticas públicas voltadas às crianças autistas e que as pessoas não vejam apenas como uma forma de ganhar dinheiro.

Foto: Arquivo Pessoal

“Espero que toda essa luta não seja em vão, que a causa autista não seja uma moeda de troca como é atualmente. Espero que as pessoas tenham mais empatia e que venham trabalhar o autismo com amor.”

O Dia Mundial da Conscientização do Autismo foi criado pela Organização das Nações Unidas (ONU), no ano de 2007. Essa data foi escolhida com o objetivo de levar informação à população para reduzir a discriminação e o preconceito contra os indivíduos que apresentam o TEA.

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