Perícia feita no celular da vítima, cujo relatório, obtido pelo Metrópoles, foi concluído nessa quarta-feira (25/3), afirma que as últimas conversas trocadas entre o casal foram recuperadas por meio de procedimentos técnicos.
Os diálogos desmentem a versão do oficial, na qual afirma que Gisele não aceitava o fim do casamento e, por isso, teria supostamente dado um tiro contra a própria cabeça.
Como revelado pelo Metrópoles, o celular de Gisele foi manuseado e desbloqueado minutos após o tiro que a matou. Para a Polícia Civil, teria sido o momento em que as mensagens podem ter sido deletadas por Geraldo Neto.
A conversa recuperada
No celular do coronel, cuja perícia já foi mostrada pelo Metrópoles, não constavam conversas entre o casal em 17 de fevereiro, dia que antecedeu o feminicídio de Gisele. Em uma das mensagens, enviadas à esposa, ele se define como “macho alfa.”
Isso, segundo relatório do 8º DP (Brás), “demonstra, mais uma vez, que o indiciado manuseou o celular da vítima, apagando as conversas para sustentar sua versão de que seria o responsável pelos pedidos de separação e não a vítima.”
As últimas mensagens de Gisele foram enviadas, em 17 de fevereiro, entre as 22h47 e 23h. Nelas, afirma para o oficial entrar com o pedido de divórcio.
“Você confundiu carinho com autoridade, amor com obediência, provisão com submissão […] Vejo que se arrependeu do casamento, eu também, e tem todo o direito de pedir o divórcio. Não quero nada seu, como te disse, eu me viro pra sair. Tenho minha dignidade. Pode entrar com o pedido [de divórcio] essa semana.”
Cerca de oito horas e meia após essas mensagens, como indica investigação da Polícia Civil, Gisele foi baleada na cabeça, com a arma do tenente-coronel, na sala do apartamento em que moravam, no centro da capital paulista.
O oficial, como demonstra perícia e relatos de testemunhas, demorou quase meia hora para acionar serviços de emergência. Mesmo assim, Gisele ainda estava viva com a chegada de socorristas, que a conduziram ao Hospital das Clínicas, onde morreu às 12h04.
Geraldo Neto, aos policiais militares presentes, e em seus depoimentos, afirmou, e ainda sustenta, que a esposa se suicidou por não aceitar o fim do casamento.
Segundo a versão do oficial, desmentida pelas mensagens recuperadas pela Polícia Civil, Gisele não teria aceitado a decisão dele.
O tenente-coronel afirmou, em depoimento, ter comunicado à esposa sobre o fim do casamento no início da manhã e que, após isso, ela teria ficado agressiva, expulsando-o com empurrões do quarto.
Coronel “não queria a separação”
O relatório policial ainda destaca, com base nas trocas de mensagens do casal, que o tenente-coronel “não queria a separação.”
Geraldo Neto, como consta nas mensagens, demonstrava “completa insatisfação” nos momentos em que Gisele expunha o desejo de se separar.
Nessas ocasiões, ele desviava o assunto, ressaltando como supostamente se amavam ou, ainda, encaminhava fotos em sequência de passeios feitos pelo casal.



